Jornalista critica reportagem: Ex-jornal A GAZETA produz lixo e vende como notícia!

Publicado em: 31 de Janeiro de 2018

O jornalista Maurício Sousa, graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), analisou a reportagem de capa publicada nesta quarta-feira (31) no Jornal A Gazeta e no seu site mauriciosousa.com.br fez duras críticas a reportagem. Maurício começa sua análise fazendo questionamentos sérios: O que vale mais que uma vida? Duas vidas. O que vale mais que duas vidas? Três vidas.  O raciocínio aritmético exposto, a despeito de simples, indica que a vida – independente de quem seja – tem valor incalculável. Só se pode mensurar o valor da vida tomando outras vidas como referência.

Os sábios do ex-jornal  A GAZETA pensam bem diferente. As 219 mortes ocorridas durante a paralisação das atividades da PMES em fevereiro de 2017 valem muito. Na régua de valores do ex-jornal valem mais que todas as outras vidas ceifadas ao longo do triste ano. Somente os familiares de cada vítima podem mensurar a dor. Ela é sempre devastadora. Afinal, a morte é a parte do trajeto humano de que sempre lutamos para nos desviar. É inerente à condição humana. Eu sei!

Minha solidariedade às famílias das vítimas do ano 2017 é verdadeira. Esta solidariedade vale para os mortos dos 365 dias do ano. Não faço distinção.  Por essa razão, rejeito o uso político que o ex-jornal  A GAZETA faz a partir da paralisação das atividades da PMES, em fevereiro de 2017. Sim, está em curso o uso político da paralisação da PMES, cujos resultados foram negativos para todos os capixabas. (leia o material de Maurício Sousa na íntegra clicando aqui)

Parece que o ex-jornal A GAZETA transforma os mortos de fevereiro numa nova categoria de cadáveres, são os “mortos com pedigree”, na justa medida que não emprega o mesmo nível de exigência para cobrar esclarecimento sobre os demais homicídios do ano. É aviltante.

Em relação aos mortos dos 22 dias de paralisação da PMES, o ex-jornal  A GAZETA, com a ligeireza de um batedor de carteiras, já achou o culpado, no caso, culpada, a PMES. Desgraçadamente, o mesmo ex-jornal não nos informou ainda quem é (ou quem são) os responsáveis pelas outras mortes. Entendo!

Explico-me: em 2017 houve 1.625 homicídios no Espírito Santo. Em 22 dias de fevereiro houve 219 assassinatos. O que representa 13,47% do cômputo geral dos homicídios de 2017.  Na escala de importância do ex-jornal, os 13,47% (219 vidas) valem mais que 86,53% (1.416 vidas). Isso fica claro cada vez o ex-jornal resolve abordar o tema, como na edição de hoje. Ora, isso é parece parte de uma estratégia política. Qual estratégia? Não sei!

No meu humilde raciocínio, na minha escala de valores, uma vida é insubstituível, única, singular. Parece que para o ex-jornal A GAZETA é mais importante esclarecer os homicídios de fevereiro que dos outros onze meses do ano. O ex-jornal se esquece de informar  aos seus poucos leitores que a média de esclarecimento de homicídios no Brasil (e no ES também) é inferior a 10%.

Em relação aos mortos dos 22 dias de paralisação da PMES o ex-jornal  A GAZETA, com a ligeireza de um batedor de carteiras, já achou o culpado, no caso, culpada, a PMES.  O ex-jornal aponta uma relação de causa e efeito naquilo que é principalmente uma correlação.

Amigos, quando os galos com seus cantos começam a “tecer a manhã”, o dia amanhece. Mas se os galos fizessem greve de seu canto, o dia amanheceria do mesmo jeito. Por quê? Porque existe ali uma correlação de eventos, não uma relação de causa e efeito. O amanhecer independe dos galos, embora tais aves emprestem ao amanhecer um charme sonoro, próprio da vida campestre. Obviamente, aqui não comparo o canto dos galos ao papel constitucional da polícia. É metáfora. Apenas aponto a diferença entre causalidade e correlação, evocando, de passagem, o poeta João Cabral!

Volto. Ora, quantos desses 219 homicídios teriam sido evitados se não tivesse havido a paralisação da PMES? Impossível saber. De igual forma, quantos foram evitados ao longo dos outros 11 messes e 08 dias em que a PMES trabalhou regularmente? Impossível saber também.

Mas o ex-jornal, de forma oblíqua e pusilânime, tentar jogar nas costas de uma tropa machucada as 219 mortes de fevereiro, enquanto não consegue identificar quem são (ou seriam) os responsáveis pelas outras 1.416 vidas que se foram em 2017.

Caríssimos leitores! Está em curso uma estratégia política. Nem todos estão entendendo. Nem tudo pode ser dito. Mas ninguém tem o direito mais de ser ingênuo!

Texto: Maurício Sousa (www.mauriciosousa.com.br)